Conversa de Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, com o empresário Flávio Carneiro, que era sócio do banqueiro em operações de mídia, revela como se dava a relação do grupo com o Estadão. Em um dos diálogos, Carneiro tranquiliza Vorcaro: no “Estadão estamos em casa, temos crédito lá”. Leia também BrasilJornal dos banqueiros, Estadão recebeu R$ 1,12 milhão do Master BrasilEstadão capta R$ 142 milhões e usa gestora implicada no caso Master para administrar debêntures BrasilQuem são os bancos e empresários que aportaram R$ 142,5 milhões em debêntures no Estadão Antes, Vorcaro escreveu para Flávio Carneiro afirmando: “Nos precisamos aumentar patrocinio folha e estadao [sic]”. A conversa ocorreu, de acordo com o registro, no dia 15 de maio de 2024.A preocupação de Vorcaro e a iniciativa de aumentar os valores aplicados no Estadão e na Folha de S.Paulo surgiram após uma repórter procurar um executivo do Banco Master.Confira a conversa:Em outro trecho da conversa, no dia 21 de maio, Carneiro afirma que quem estaria no comando do Estadão seria o empresário Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Cosan.Vorcaro envia para Flávio Carneiro um link que trata da operação de emissão de debêntures promovida pelo Estadão e questiona: “Como ficamos fora disso”. O empresário responde: “Você tá sabendo disso desde o dia 1 desse projeto. O Rubens ometo que tá por trás de tudo isso. Vi acontecer na sala da casa do Geraldo [Samor, fundador do Brazil Journal] . Eles iam quebrar e o Rubens é inimigo declarado do Frias”. Frias é sobrenome da família que controla a Folha de S.Paulo.O diálogo segue. Vorcaro reafirma que não sabia e lamenta: “Agora já foi. Oportunidade ímpar. De blindar lá”. Flávio Carneiro responde: “Não tem o que entrar. Ele fez tudo sozinho. Tá há 6 meses montando isso para mascarar mas é tudo Ometo”.Flávio Carneiro continua: “E você entra na hora que você quiser. Quem coordena isso tudo é o Geraldo e o Marcelo [executivo do grupo Cosan]”. E completa: “Você tá mais em casa do que você imagina ali”.Veja: Exatamente nos meses de março e maio de 2024, o Estadão promoveu uma operação milionária de emissão de debêntures. À época o jornal esteve a ponto de quebrar, com rumores de que pediria recuperação judicial.Como revelou o Metrópoles, a operação deu sobrevida ao grupo de comunicação, que acumulava uma dívida de R$ 159 milhões, e transformou bancos e grandes empresários — como Ometto — em credores do Estadão. Em troca, os novos investidores ganharam assentos no conselho de administração do jornal centenário e passaram a ter influência editorial no veículoA segunda rodada foi capitaneada, como o Metrópoles revelou em março deste ano, justamente, por Rubens Ometto, que colocou R$ 15 milhões no jornal. Outras oito empresas participaram da operação. Confira:Cosan: R$ 15 milhõesHapvida: 15 milhõesVotorantim: R$ 15 milhõesUltra: R$ 7,5 milhõesUnipar: R$ 7,5 milhõesPátria Investimentos: R$ 7,5 milhõesJHSF: R$ 7,5 milhõesGalápagos Capital: R$ 7,5 milhõesSantalice Administração Ltda. (Cutrale): R$ 15 milhõesApós o aporte, um representante dos investidores ingressou no conselho de administração do Estadão. Marcos Bologna é sócio e CEO da Galápagos — gestora do fundo debenturista que investiu R$ 7,5 milhões no jornal — ao lado de Carlos Fonseca, ex-sócio de André Esteves no BTG.O Metrópoles acionou o Estadão, que não respondeu até o momento. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.











