O massacre da Guarda Especial de Brasília, também conhecida como Massacre da Pacheco Fernandes, foi um massacre realizado pela Guarda Especial de Brasília na noite de 8 de fevereiro de 1959, no acampamento da construtora Pacheco Fernandes Dantas, localizado na Vila Planalto. A construtora foi uma das responsáveis pela construção de Brasília, participando da construção do Palácio do Planalto, do Hotel Nacional e do Brasília Palace Hotel. Em seu acampamento, localizado na Vila Planalto, haviam aproximadamente 1.300 candangos.
História Em fevereiro de 1959, os donos das construtoras adiaram os pagamentos dos honorários aos seus funcionários, com receio de que eles passassem o carnaval em cidades próximas como Cidade Livre, Planaltina e Luziânia, gastassem o salário em bordéis, e dessa forma, atrasassem a entrega das obras, previstas para o ano seguinte. No dia 8 de fevereiro de 1959, três operários reclamaram que a comida do refeitório estava estragada, e iniciaram a quebrar o local. Presbi Elpídio de Medeiros, um dos responsáveis pela Pacheco Fernandes, solicitou ao funcionário Luiz Bandeira Filho que denunciasse a briga ao Departamento de Segurança Pública (DSP) da Guarda Especial de Brasília, que ao acionada, enviou três soldados ao local. No entanto, a ação foi impedida pelos próprios operários. Com isso, Luiz Bandeira retornou a DSP, afirmando que os soldados estavam em risco iminente de serem mortos, com isso, sob ordens de Fernando de Faria Pimentel, chefe Seção de Controle da Polícia, um contingente de 27 soldados retornou ao local, e atirou contra os trabalhadores. A operação resultou na morte do operário piauiense Evaristo Soares Brandão, e outras 48 pessoas ficaram feridas, sendo espancadas ao passarem por um corredor polonês, e foram atendidas no hospital da Vila do IAPI. Segundo o auto de verificação do delito, o delegado Arquelau Augusto Gonzaga registrou a presença de 41 perfurações de balas na parede, e foram localizadas 13 cápsulas de calibre 38. Os 27 soldados que participaram da operação foram detidos no dia seguinte a operação, porém o Ministério Público não os considerou culpados. Um dos soldados, Otacílio Camelo da Silva, foi acusado de lesão seguida da morte de Evaristo.
Repercussão A professora Nair Bicalho reitera que há dois eixos de análise do caso, o do governo, que trata como um incidente de pouca relevância, e de outro, os jornais e depoimentos. No filme Conterrâneos Velhos de Guerra, de Vladimir Carvalho, Oscar Niemeyer afirmou não conhecer sobre o caso, enquanto Lúcio Costa afirmou que "do ponto de vista da construção da cidade, isto é apenas um episódio, não tem a menor importância". Já o presidente Novacap, Ernesto Silva, em entrevista em 1994, classificou o massacre como "uma revolta de trabalhadores seguida de depredações dos alojamentos e repelida pela polícia".
Referências
Bibliografia de Sousa, Nair Heloisa Bicalho (2011). O massacre de Pacheco Fernandes Dantas em 1959: memória dos trabalhadores da construção civil de Brasília (PDF) (Tese). 14 páginas. Consultado em 23 de abril de 2026 Reis Júnior, Reinaldo de Lima (Julho de 2008). Cidade, trabalho e memória: Os trabalhadores da construção de Brasília (1956-1960) (Tese de Pós-Graduação em Ciências Sociais). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. 110 páginas. Consultado em 23 de abril de 2026